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Minha Visão da Iboga
Para mim, a Iboga não é apenas uma planta. Ela é uma porta. Uma porta para dentro de nós mesmos, para lugares que muitas vezes passamos a vida inteira tentando evitar. É como entrar em uma grande sala onde estão guardadas memórias, sentimentos, histórias e partes de nós que foram esquecidas pelo caminho. Minha relação com a Iboga começou muito antes de eu compreender o que ela significaria na minha vida. Durante muitos anos, caminhei com a Ayahuasca, aprendendo a olhar para minhas emoções, minhas memórias e minha própria história. Quando encontrei a Iboga, senti que estava diante de uma outra etapa da minha caminhada. A minha experiência me fez perceber a existência de diferentes camadas dentro de nós: Há aquilo que pensamos ser. Há aquilo que aprendemos a ser. Há aquilo que carregamos da nossa família. E existe algo ainda mais profundo: aquilo que somos antes de todas essas histórias. Foi nesse lugar que comecei a compreender a Iboga. Para mim, ela não vem para nos dar respostas prontas; ela nos coloca diante das perguntas certas: Quem sou eu? De onde vim? O que estou fazendo com a minha vida? Quais histórias ainda carrego? O que precisa morrer dentro de mim para que algo novo possa nascer? Na minha experiência, a Iboga me mostrou que renascer não significa apagar o passado. Significa olhar para ele. Reconhecer as partes de nós que ficaram escondidas. Acolher aquilo que um dia rejeitamos. E permitir que essas partes encontrem novamente um lugar dentro de nós. No Gabão, essa compreensão ganhou outra dimensão. Estar na África, diante da floresta, da música, da dança, do fogo e de pessoas que preservam tradições ancestrais, fez-me sentir que eu não estava simplesmente conhecendo outro país. Eu estava encontrando uma parte da história humana que, para mim, parecia muito antiga. Ali compreendi ainda mais profundamente a importância da ancestralidade. A Iboga me fez olhar para a árvore de uma maneira diferente. Uma árvore não existe apenas por aquilo que vemos: Existe o tronco. Existem os galhos. Existem as folhas. Mas existe também aquilo que permanece escondido: as raízes. Talvez nós sejamos assim. Passamos grande parte da vida olhando para aquilo que aparece, enquanto nossas raízes continuam trabalhando silenciosamente. Minha visão da Iboga nasceu dessa compreensão: não podemos transformar verdadeiramente aquilo que não conseguimos enxergar. A experiência com a Iboga me ensinou a olhar: Olhar para mim. Olhar para minha família. Olhar para meus relacionamentos. Olhar para minhas escolhas. Olhar para minhas sombras. E, principalmente, olhar para a vida com mais responsabilidade. Eu não vejo a Iboga como uma solução mágica. Vejo-a como uma experiência poderosa de consciência, que pode colocar uma pessoa diante de si mesma de uma maneira muito profunda. Mas aquilo que vemos durante uma experiência não termina quando a cerimônia termina. É depois que começa o verdadeiro trabalho. É na vida: Na maneira como tratamos as pessoas. Na maneira como amamos. Na maneira como fazemos nossas escolhas. Na capacidade de reconhecer nossos erros. Na coragem de mudar. Na responsabilidade de transformar aquilo que compreendemos em atitudes. Foi também por isso que o Gabão se tornou tão importante para mim. Eu não quero simplesmente levar pessoas para conhecer uma planta. Quero criar uma ponte. Uma ponte entre pessoas que desejam conhecer uma tradição ancestral e as comunidades que guardaram essa tradição por gerações. Para mim, qualquer jornada precisa nascer do respeito: Respeito pela cultura. Respeito pela floresta. Respeito pelas comunidades. Respeito pelos conhecimentos ancestrais. E respeito pelos limites de cada ser humano. A Iboga não pertence a mim. Eu apenas me reconheço como alguém que foi profundamente tocada por essa experiência e que deseja compartilhar aquilo que aprendeu com responsabilidade, humildade e gratidão. Minha visão é que precisamos voltar às nossas raízes sem abandonar o mundo moderno. Precisamos unir conhecimento e ancestralidade. Ciência e experiência. Consciência e responsabilidade. Brasil e África. Porque talvez o grande chamado não seja fugir da nossa vida. Talvez seja voltar para ela com novos olhos. Foi isso que a Iboga me ensinou: Morrer para aquilo que já não somos. Reconhecer aquilo que esquecemos. E renascer para aquilo que podemos ser. Para mim, a Iboga é uma lembrança. Uma lembrança de que, dentro de cada ser humano, existe uma história muito maior do que aquela que ele conta sobre si mesmo. E talvez a verdadeira jornada não seja descobrir quem queremos ser. Talvez seja retirar, pouco a pouco, tudo aquilo que nos impede de lembrar quem já somos.Minha História
Aos 19 anos de idade, decidi estudar Medicina para tentar ajudar a curar meu pai, que era dependente químico. Minha primeira tentativa de encontrar uma resposta foi através da oração e da fé. Eu participava de campanhas de oração, e uma das que mais pratiquei foi o Cerco de Jericó. Foi através da fé que encontrei caminhos que jamais imaginaria percorrer. Cresci em uma família simples do interior do Paraná. Morava na roça, meus pais eram agricultores, e desde criança aprendi a observar a natureza. Minha linhagem ancestral, por parte de mãe, é africana; por parte de pai, italiana. Cresci entre rezas, benzimentos, chás e histórias de mulheres que conheciam as plantas e carregavam conhecimentos ancestrais. Desde pequena, aprendi a buscar na natureza aquilo que poderia cuidar de nós. Entre benzimentos, orações e a observação da natureza, fui adquirindo conhecimentos que, naquela época, eu nem imaginava que um dia fariam parte da minha história. Quando meu pai adoeceu, eu percebia que aquilo não era simplesmente um vício. Dentro de mim existia a sensação de que havia algo muito mais profundo que precisava ser compreendido. Foi justamente diante daquela dificuldade que encontrei força para estudar Medicina, mesmo sem ter condições financeiras para isso. Foi uma longa jornada. Meu primeiro encontro com a ibogaína Logo no início da faculdade, alguém cruzou meu caminho e me falou sobre um tratamento para dependentes químicos utilizando uma substância chamada ibogaína. Eu tinha 20 anos. Como sempre fui determinada, levei meu pai para conhecer o tratamento. Na época, o médico que nos avaliou percebeu também o quanto eu estava abalada emocionalmente com toda aquela situação. Ele decidiu que eu também receberia a substância, dentro daquele contexto de acompanhamento. A partir daquele momento, minha vida mudou. Eu conseguia perceber claramente algumas mudanças e, quando voltei para casa, comecei imediatamente a tentar compreender o que havia acontecido comigo. Eu queria entender: O que era aquela experiência? Como uma substância poderia provocar mudanças tão profundas? Foi assim que comecei a estudar e conhecer o universo dos psicodélicos. Pouco tempo depois, comecei a consagrar Ayahuasca, que naquele momento era uma das medicinas psicodélicas mais acessíveis dentro da realidade brasileira. Para mim, aquela experiência tinha uma conexão profunda com tudo aquilo que eu havia vivido na infância. Eu tinha crescido entre benzimentos, chás, orações e mulheres que conheciam a natureza. Aquele caminho parecia familiar. Era como se eu tivesse chegado em casa. Passei 23 anos caminhando com a Ayahuasca. Foram 857 consagrações. No começo, eu buscava as medicinas para resolver meus próprios problemas. Queria entender minhas dores, minhas histórias e tudo aquilo que existia dentro de mim. Mas, com o passar dos anos, minha compreensão começou a mudar. Percebi que, a cada memória ressignificada, criava-se um espaço novo dentro de mim para uma nova experiência. Eu não precisava apagar aquilo que havia vivido. Eu precisava compreender. E, quanto mais consciente eu me tornava da minha própria história, mais diferente eu conseguia enxergar a vida. O que começou como uma busca desesperada para ajudar meu pai acabou se transformando em uma jornada de décadas em busca de conhecimento, consciência e compreensão da natureza humana. Eu ainda não sabia, naquela época, que esse caminho me levaria muito mais longe. Um dia, ele me levaria de volta à África. À terra da minha ancestralidade. À floresta. E à Iboga. Quanto mais eu estudava Medicina, mais compreendia que o ser humano é muito maior do que apenas o corpo físico. Comecei a perceber que existiam dimensões da experiência humana que não podiam ser compreendidas somente através da anatomia, da fisiologia ou dos exames. Minha busca então foi ficando cada vez mais profunda. Estudei Medicina Ayurvédica na Índia e também fiz cursos de Reiki e Yoga. Eu queria compreender o ser humano de uma maneira mais ampla. Percebi que a Medicina tradicional podia nos levar muito longe, mas que, para algumas perguntas que começaram a nascer dentro de mim, eu precisava continuar buscando. Não porque eu rejeitasse a ciência, mas porque queria ampliar minha compreensão. Passei a investigar aquilo que, no início, parecia pertencer a um mundo invisível: a consciência, a energia, a relação entre corpo, mente e espírito e a maneira como nossas experiências podem transformar quem somos. Quanto mais eu estudava, mais perguntas surgiam. E quanto mais perguntas surgiam, mais eu entendia que minha jornada não seria apenas sobre curar o corpo. Era sobre compreender o ser humano em sua totalidade. Então, decidi ser minha própria cobaia. Comecei a consagrar Ayahuasca e a registrar tudo aquilo que eu via, sentia e compreendia durante essas experiências. Passei a observar minha própria jornada como médica e, ao mesmo tempo, como paciente. Eu queria estudar a mim mesma. Escrevia sobre minhas experiências, minhas emoções, minhas memórias, minhas percepções e as transformações que aconteciam dentro de mim. Com o passar do tempo, comecei a reler tudo aquilo que havia escrito. E percebi algo que me chamou profundamente a atenção: Era como se existissem duas perspectivas dentro daquela experiência: uma era a pessoa que estava vivendo tudo aquilo; a outra era alguém que observava, analisava e tentava compreender o que estava acontecendo. Eu era, ao mesmo tempo, participante e observadora. Essa experiência mudou a maneira como eu enxergava a mim mesma. Comecei a revisitar minha própria história com outros olhos. Memórias que antes carregavam dor começaram a ganhar novos significados. Experiências que eu considerava problemas começaram a revelar aprendizados. Foi assim que comecei a ressignificar grande parte da minha vida. Não mudando aquilo que aconteceu, mas mudando a maneira como eu compreendia o que havia acontecido. E talvez tenha sido aí que eu realmente entendi que minha busca nunca foi apenas pela cura: era uma busca pelo conhecimento de mim mesma. Anos mais tarde, mais uma vez, vi-me diante de uma situação que me fez lembrar do meu passado. Dessa vez, porém, era com meu filho. Eu havia descoberto que ele estava fumando maconha; ele estava no primeiro ano da faculdade de Medicina. Eu não hesitei em levá-lo para conhecer a Iboga. Mas, naquele momento, eu já não era a mesma pessoa que havia sido anos antes. Eu não queria simplesmente dizer a ele o que era certo ou errado. Ao longo da minha própria jornada, havia aprendido que não podemos enxergar verdadeiramente através dos olhos de outra pessoa. Podemos orientar. Podemos compartilhar nossas experiências. Podemos caminhar ao lado. Mas cada ser humano precisa, em algum momento, encontrar suas próprias respostas. Eu sabia que quem precisava olhar para as próprias escolhas era ele. Meu papel não era viver a experiência por ele, nem determinar o caminho que deveria seguir. Era estar ao seu lado enquanto ele aprendia a olhar para si mesmo. Foi nesse momento que compreendi uma coisa que levou muitos anos para eu aprender: não podemos escolher o caminho de outra pessoa. Podemos apenas ajudá-la a enxergar que ela própria tem um caminho para descobrir. Eu estudei as medicinas. Experimentei em mim mesma e, ao longo da minha jornada, também acompanhei experiências dentro da minha família. Enquanto aprendia, eu também me transformava. Cada experiência me ensinava alguma coisa sobre o ser humano, sobre a consciência e, principalmente, sobre mim mesma. Durante muitos anos, trabalhei com Medicina Estética. Foi essa profissão que me deu o suporte financeiro para viajar pelo mundo e buscar, em diferentes lugares e culturas, novas jornadas de conhecimento. Eu nunca viajei apenas para conhecer lugares. Eu viajava para aprender. Para observar. Para encontrar pessoas que carregavam conhecimentos diferentes dos meus. Para compreender outras formas de enxergar a vida. Hoje posso dizer que compreendo uma coisa que talvez seja impossível aprender apenas através dos livros: as medicinas sagradas não podem ser compreendidas somente através de relatos ou estudos. Elas precisam ser vivenciadas. É preciso caminhar. É preciso observar. É preciso experimentar a própria jornada. Porque existe uma diferença enorme entre saber sobre uma experiência e realmente atravessá-la. Foi assim que minha busca pelo conhecimento se tornou uma busca pela experiência. E foi essa busca que, muitos anos depois, me levou até a África. Quando cheguei à África, uma frase veio imediatamente à minha memória: “África, o berço da humanidade.” E aquelas palavras descreviam exatamente o que eu estava sentindo. Era como se, naquele momento, muitas partes da minha história começassem a se encaixar. Tudo o que eu havia caminhado. Tudo o que eu havia estudado. Tudo o que eu havia vivido. As pessoas que cruzaram o meu caminho. As histórias de dor e doença que encontrei ao longo da vida. Tudo parecia ter me conduzido, de alguma maneira, até aquele lugar. Eu senti que finalmente havia chegado em casa. Não era apenas chegar a um continente novo. Era sentir que estava chegando a uma parte muito antiga de mim. A África despertou em mim uma sensação difícil de explicar apenas com palavras. Havia algo na natureza, nas pessoas, na floresta e na forma como a vida se apresentava diante dos meus olhos que parecia falar diretamente comigo. Mas também compreendi que chegar à África sem preparação é uma experiência que exige respeito. As experiências espirituais que encontrei ali eram muito diferentes daquilo que eu conhecia. Para mim, pareciam acontecer em múltiplas dimensões da percepção. Eu estava diante de uma cultura, uma natureza e uma tradição que não poderiam ser compreendidas apenas através dos livros. Eu precisava primeiro aprender a observar. Precisava ouvir. Precisava respeitar. E, acima de tudo, precisava reconhecer que eu havia chegado a um território que tinha uma história muito maior do que a minha própria história. Foi ali que comecei a compreender que talvez minha viagem à África não fosse apenas uma viagem para conhecer a Iboga. Talvez fosse uma viagem para reencontrar minha própria origem. A partir de tudo o que vivi em minha jornada espiritual, decidi mudar o rumo da minha vida profissional. Eu precisava aprofundar meus estudos sobre o ser humano, sobre a mente, sobre os comportamentos e sobre os processos que acontecem dentro de nós. Foi então que escolhi estudar Psiquiatria no Hospital Sírio-Libanês. Dessa vez, eu já não carregava as mesmas dúvidas de antes. Minha trajetória havia me mostrado que existiam muitas dimensões da experiência humana que eu ainda queria compreender. A Medicina havia sido o início da minha busca. As medicinas ancestrais ampliaram meu olhar. A espiritualidade transformou a maneira como eu compreendia a vida. E agora eu queria unir esses diferentes conhecimentos com responsabilidade, estudo e experiência. Foi nesse momento que percebi que meu trabalho e minha missão já não eram coisas separadas. Meu trabalho era parte da minha missão. Tudo aquilo que eu havia vivido — desde a história com meu pai, passando pela Medicina, pela Ayahuasca, pelas viagens, pelos estudos e finalmente pela África — parecia fazer parte de uma mesma trajetória. Eu não estava mais procurando apenas uma profissão. Eu estava encontrando um propósito. Se você tiver coragem de olhar para trás Se você tiver coragem de revisitar o seu passado, compreender os seus conflitos e olhar para a sua própria história com consciência, você pode transformar o seu futuro. Tudo o que vivi me mostrou que somos autores das nossas próprias histórias. Mas nem sempre percebemos isso. Passamos grande parte da vida de maneira inconsciente, repetindo comportamentos, escolhas e relações que muitas vezes nasceram de experiências que nem sequer compreendemos completamente. Repetimos padrões. Revivemos histórias. Tentamos encontrar novos resultados fazendo as mesmas escolhas. Até que, em algum momento, decidimos olhar para dentro. Quando começamos a compreender a nossa história, podemos deixar de simplesmente repeti-la. Não podemos mudar o que aconteceu. Mas podemos mudar a maneira como compreendemos aquilo que aconteceu — e, a partir dessa consciência, construir novas escolhas. Foi isso que minha própria jornada me ensinou. O passado explica muitas coisas sobre nós, mas não precisa determinar o nosso futuro. Existe um momento em que deixamos de ser apenas personagens da história que recebemos e começamos a escrever conscientemente a história que queremos viver.“Com o poder das moléculas verdes, nosso segredo dourado, reparamos a verdadeira essência da sua pele, restaurando a sua vitalidade.”
Minha Visão Sobre o Futuro da Medicina
Passei uma parte da minha vida questionando-me sobre o porquê de tantas coisas ainda não terem uma explicação concreta ou definitiva. Por que algumas doenças não têm cura? Por que, em tantos casos, ainda não conseguimos identificar suas causas exatas? Por que existem pessoas que adoecem mesmo quando aparentemente tudo está bem? A medicina avançou enormemente. Aprendemos a observar, investigar, medir e tratar o corpo com uma precisão que antes parecia impossível. A medicina construiu-se sobre evidências, fatos observáveis, estudos científicos e sobre aquilo que conseguimos compreender e demonstrar. Mas, para mim, ainda existe uma pergunta maior: Será que o ser humano é apenas matéria? Durante muito tempo, olhamos principalmente para o corpo. E talvez agora estejamos começando a perceber que compreender plenamente o ser humano exige também investigar dimensões que ainda não compreendemos completamente. Quando uma pessoa morre, existe uma mudança profunda: aquilo que chamamos de vida deixa de existir naquele corpo. Para mim, essa experiência sempre despertou uma pergunta sobre a relação entre corpo, consciência e aquilo que muitas tradições chamam de espírito. Não acredito que a medicina deva abandonar a ciência. Acredito justamente no contrário. Acredito que precisamos ampliar nossas perguntas. Talvez o futuro da medicina esteja em uma integração mais profunda entre diferentes campos do conhecimento: biologia, neurologia, psicologia, psiquiatria, consciência, espiritualidade, cultura e ancestralidade — sempre com responsabilidade, método e respeito às evidências. Foi nessa busca que encontrei conhecimentos muito antigos. No Gabão, entre povos que preservam tradições ancestrais, especialmente na experiência junto aos Pigmeus e às comunidades ligadas ao Bwiti, encontrei uma maneira diferente de olhar para a existência. Ali percebi que algumas perguntas que hoje parecem novas para nós já faziam parte das perguntas fundamentais de povos antigos há muitas gerações. Isso não significa que todo conhecimento ancestral seja automaticamente uma verdade científica. Significa que talvez tenhamos muito a aprender quando conseguimos ouvir outras formas de conhecimento sem preconceito e sem abandonar o pensamento crítico. Para mim, a medicina do futuro não será uma medicina que escolherá entre ciência e espiritualidade. Será uma medicina capaz de investigar o ser humano em sua complexidade: corpo, mente, consciência, relações, ambiente, cultura e, para aqueles que acreditam, espírito. Minha jornada não me trouxe respostas definitivas. Ela me trouxe perguntas maiores. E talvez seja justamente aí que começa a próxima etapa da medicina: ter coragem para investigar aquilo que ainda não sabemos. Hoje, olhando com mais profundidade para cada ser humano, consigo perceber como as emoções se manifestam e influenciam a nossa experiência no corpo. Como médica, vejo cada vez mais claramente a relação entre emoções, corpo, equilíbrio e adoecimento. Não somos partes separadas. Aquilo que sentimos, pensamos e vivemos participa da maneira como construímos nossa própria existência e também daquilo que construímos ao nosso redor. Por isso, para mim, não faz sentido olhar para o corpo ignorando a história emocional de uma pessoa. O ser humano precisa ser compreendido em sua totalidade. Corpo, mente, emoções, relações e ambiente fazem parte de uma mesma experiência de existir. Talvez um dos grandes desafios da medicina do futuro seja justamente aprender a enxergar o ser humano para além da doença — e compreender também a pessoa que existe por trás dela.Calmante
Hidratação e Clareamento
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